Recebi um e-mail muito bonito que me fez pensar sobre estar ficando velha ou na verdade ter referência de infância. No e-mail aparecem objetos que lembram situações bastante interessantes da minha vida. Sem a intenção de questionar o poder da mídia ou sua influência, bla, bla, bla... Vejo esses objetos como pequenas conquistas que nós, crianças daquela época, tínhamos e que faziam com que nos sentíssemos verdadeiros heróis por conseguí-los e de nossos pais criaturas muito poderosas. É bem verdade que a tecnologia mudou e muito e eu não sei se conseguiria ter o mesmo ritmo de vida que tenho sem ela. Não é essa a questão!
A questão é: Por que crianças e jovens de hoje (adultos também) não sentem prazer em ter alguma coisa e não consideram conseguir algo como uma conquista sua ou de sua família. A maior parte das coisas que possuem nem sabem como foi conseguido, brinquedo novo perde o valor em dois ou três dias e eles não sentem nada ao se desfazerem deles...
Alguns produtos ou tecnologias conseguidas em casa tinham um significado muito forte para as crianças. Citarei alguns exemplos:
Tênis Kichute, Conga: Embora sem glamour era sinal de resistência e durabilidade e o dinheiro que seria economizado durante o ano em calçados para escola seria revertido em livros, canetinhas coloridas, caixa de lápis de cor com 24 cores. Nossa!!!!
Hoje o que interessa é a marca do tênis e livros... Pra que?? Canetinhas? Colorir a vida pra que? Desenhar e imaginar já não faz parte da infância, mesmo que no computador. As imagens já vêm prontas, não nos cabe mais imaginar.
Iogurte: Comprar iogurte no “rancho” era sinal de que a situação financeira da família estava estabilizada. Era um produto bastante caro. Quanto custa hoje?
Presentes tinham sensação, gosto, cheiro de presentes; eram dados no dia certo, na data certa como presente. Não como recompensa por ter passado de ano ou ter sido bom menino. Ser estudioso e bom era coisa natural da vida.
Coisas assim, simples... Mas que para consegui-las precisávamos entender de economia familiar, de prioridades, de família! Hoje temos as mais variadas tecnologias, de todos os preços, que mudam a todo instante. Ótimo! Mas pensar sobre elas é algo que não deveria mudar. Falta referência para que possamos escolher produtos, atitudes, amigos...
Velho? Ou ter a capacidade de ver no que se consegue ou no que é referências de família, de valores, de economia, de ciências, meio ambiente, bom convívio...
Viva a tecnologia, viva a capacidade de escolher, de pensar.
Ops!!! Quem está lendo está me questionando!
Essa é a idéia: pensar, embasar seus pensamentos em suas referências, trazer novas.
Até novos questionamentos!
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